Pesquisas clínicas criam postos de trabalho no Brasil

Desde sua regulamentação em 1996, o número de pesquisas clínicas cresce no Brasil e colocam o país no caminho para o desenvolvimento de medicamentos de qualidade internacional.

Segundo a ABRACRO (Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica), até 2005 cerca de 100 mil brasileiros participaram de estudos da área médica. Isso possibilitou a ampliação do conhecimento das doenças e seus tratamentos.

Há hoje no Brasil cerca de mil pesquisas clínicas sendo realizadas, a maior parte delas para desenvolver novos medicamentos. O país possui vários centros de excelência em especialidades, como a oncologia, cardiologia, neurologia, oftalmologia e outras que reúnem condições ideais para a realização de projetos complexos de pesquisa, que exigem exames complementares sofisticados e equipamentos de última geração.

O universo de trabalho das pesquisas clínicas inclui os profissionais da equipe de investigação do hospital ou clínica, os integrantes das CROs e das Indústrias Farmacêuticas, além de todos aqueles indiretamente envolvidos na pesquisa, como os prestadores de serviços. Entre eles os laboratórios, os institutos de imagens, as transportadoras de medicamentos, materiais biológicos e fornecedores de materiais usados nas pesquisas.

Compreendendo que na área de pesquisa, pelo nível de responsabilidade envolvido, é necessário ter formação acadêmica sólida e bons conhecimentos de inglês. Além disso, faz-se necessário também um treinamento específico das normas e detalhes das pesquisas clínicas.

Neste sentido, está sendo criado o primeiro curso teórico-prático de pós-graduação, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que conta com a colaboração da ABRACRO. O intuito é fomentar a pesquisa e capacitar mais profissionais para atuar nessa área que possui muito potencial.

Os estudos representam fonte de renda para instituições públicas, privadas e sem fins lucrativos. Podem ser financiados por universidades, institutos nacionais, indústrias farmacêuticas ou de biotecnologia, fabricantes de dispositivos ou equipamentos médicos e agências de pesquisas do governo. A pesquisa clínica também contribui para o aprimoramento dos investigadores e sua equipe de trabalho.

Com o envolvimento dos médicos da casa, eles têm contato com novidades de primeiro mundo, além da descoberta de novos procedimentos e conduta que aprendem com o auxílio dos patrocinadores ou CROs.

As despesas relacionadas à pesquisa clínica e financiadas pelo patrocinador são várias. Além do fornecimento do medicamento em teste, muitas vezes é fornecido também um medicamento comercial com o qual o medicamento do estudo vai ser comparado. O patrocinador paga todos os testes de laboratório e outros exames especializados, desde que exigidos pelo protocolo da pesquisa, além da verba destinada à Instituição e equipe do estudo.

É por isso que a instituição que prestigia a pesquisa clínica não ganha só com o estudo em si, mas também com o fornecimento de materiais e exames.

Nas pesquisas, toda participação dos pacientes que recebem o tratamento é voluntária. Pelas normas brasileiras, não é permitido pagar ao paciente pela sua participação na pesquisa, mas pode-se pagar despesas de transporte e refeições nos dias das visitas, que são reembolsadas pelo patrocinador.

Escrito Por Cláudio Ortega - Diretor da INTRIALS e vice-presidente da ABRACRO (gestão 2006-2008)