Principais responsáveis pela queda da mortalidade infantil nas últimas décadas no Brasil, as vacinas começam a enfrentar, em pleno século 21, resistência de alguns movimentos e descaso de parte da população. O resultado é preocupante no aspecto da saúde pública e já pode ser observado na queda dos índices de adesão de alguns imunizantes e no aumento de casos de doenças praticamente eliminadas.

Dados disponíveis na base de dados Datasus, do Ministério da Saúde, mostram que, nos últimos dois anos, o índice de cobertura vacinal no País caiu de 85,9% em 2014 para 51,6% em 2016. Um dos casos mais críticos é o da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é administrada em duas doses: uma aos 12 meses e outra, aos 15 meses.

Tradicionalmente, a primeira dose da tríplice tem sempre melhor adesão do que a segunda. Nos últimos anos, no entanto, o índice de cobertura da segunda dose caiu ainda mais, passando de 92,8% para 76,7%. O imunizante é um dos principais alvos de boatos entre grupos de pais e páginas na internet sobre sua segurança.

A queda na adesão da vacina já provocou, nos últimos anos, problemas como um surto de sarampo em Estados nordestinos e aumento de registros de caxumba em São Paulo e Rio. Na Europa, onde os movimentos antivacina têm ainda mais força, o sarampo voltou a preocupar, infectando mais de 7 mil pessoas desde o ano passado, de acordo com dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

Importante lembrar que todas as vacinas disponíveis no mercado passaram, assim como qualquer medicamento, por diversos estudos clínicos para atestar sua segurança e eficácia. As informações contrárias aos imunizantes divulgadas em grupos de internet não costumam ter embasamento científico.

Fonte: ABRACRO (outubro/2017)