Os dois principais estudos que buscavam analisar a eficácia e a segurança da fosfoetanolamina, substância que ficou conhecida como pílula do câncer, foram suspensos após desempenho insatisfatório do composto nas pesquisas.

A primeira investigação, encomendada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), teve seus últimos resultados publicados em agosto do ano passado. Ainda na etapa pré-clínica, a pesquisa mostrou que a fosfoetanolamina chegou a reduzir o tamanho de melanomas (tipo de câncer de pele agressivo) em camundongos, mas em nível inferior ao quimioterápico já existente no mercado.

Na ocasião, o ministério declarou que, mesmo com as conclusões desanimadoras, os estudos continuariam, com previsão de realização de teste com humanos (etapa clínica) meses depois. Até agora, porém, as pesquisas seguem suspensas, segundo a pasta.

Foi o que aconteceu também com os estudos conduzidos pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), o primeiro a realizar pesquisas do composto com humanos. A investigação foi interrompida em março deste ano após análise das condições de saúde de 52 participantes do estudo, dos quais apenas um apresentou melhora com o tratamento.

A interrupção se deu na fase 2 da pesquisa clínica, quando foram incluídos pacientes com dez tipos de tumor (cabeça e pescoço, colo uterino, cólon e reto, estômago, fígado, mama, melanoma, pâncreas, próstata e pulmão) – na fase 1, que contou com a participação de dez voluntários, foi atestada a segurança da substância.

Fonte: ABRACRO (outubro/2017)